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Boas perspectivas para investimentos / vendas de empresas em 2017, apesar das incertezas políticas e económicas - Como evitar as armadilhas numa aquisição ou numa venda de empresas

Artigo sobre Palestra da CAPITAL INVEST no Comitê Aberto de Finanças da Amcham - American Chamber - Abril de 2017

O Comité Aberto de Finanças da Amcham, American Chamber, a maior e mais ativa cámara de comercio do Brasil, promoveu um café da manhã, na última quinta-feira (06/04/2017), sobre as perspectivas de fusões e aquisições no Brasil, investimentos estrangeiros, e otimização no processo de compra e venda de empresas. A apresentação foi conduzida por Nestor Casado, CEO da CAPITAL INVEST - M&A Advisors, consultoria especializada cujos sócios e associados acumulam experiência de  R$ 20 bilhões em mais de 50 transações assessoradas nos últimos anos.

Boas perspectivas para investimentos / vendas de empresas em 2017, apesar das incertezas políticas e económicas

O apetite dos investidores estrangeiros por empresas brasileiras foi interrompido em 2016, abrindo espaço para que operações nacionais liderassem o mercado de fusões e aquisições. Das 740 transações dessa natureza realizadas no ano passado, 440 (59%) foram feitas por brasileiros, de acordo com dados da KPMG.

“Algumas transações com operadores brasileiros estavam represadas e não foram efetivadas até o fim do processo de impeachment [encerrado em setembro]. Já o estrangeiro, que tinha feito a festa quando o câmbio estava favorável (2015), não precisou comprar tanto”, detalha Nestor Casado, CEO da Capital Invest M&A Advisors, no comitê de Finanças da Amcham – São Paulo na quinta-feira (6/4). Paola Pugliese, sócia do escritório Demarest Advogados, também participou do debate.

As empresas mais procuradas foram dos setores Petrolífero (17%), Tecnologia da Informação (14%), Internet (10%) e Serviços Empresariais (9%). Os principais investidores estrangeiros vieram dos Estados Unidos (38%), França (10%) e Reino Unido (6%), de acordo com o estudo. A China, com participação de 4% no volume de investidores, vem ganhando destaque, segundo Casado. “Depois dos Estados Unidos e Europa, eles são os que mais investem no mercado brasileiro.”

Para efeito de comparação, em 2015 o volume de fusões e aquisições no mercado brasileiro somou 773 operações, com número recorde de transações cross border [investidores estrangeiros]: 504 (65%). Os ativos brasileiros estavam baratos, argumenta Casado, em função do câmbio favorável e qualidade das empresas alvo.

Desde que a situação política se estabilizou no fim do ano passado, os preços dos ativos brasileiros foram ajustados para cima. Isso não impediu a retomada do mercado por investidores brasileiros, que tinham segurado investimentos até o final do processo de impeachment, mas os estrangeiros, perante a volatilidade do mercado, e uma taxa cambio menos favorável,  resolveram aguardar, explica Casado.

Para o especialista, o mercado deve continuar favorável a investimentos este ano tanto para brasileiros e estrangeiros, apesar de incertezas políticas decorrentes dos desdobramentos da Operação Lava Jato. “O mercado vai seguir volátil até o país ter uma definição mais clara da sucessão presidencial em 2018 e os rumos da política econômica.”

Como evitar "destruir valor para o investidor" em aquisições de empresas?

Adicionalmente, sendo mais específico em termos dos processos de fusões e aquisições, salientou que é um dado bem conhecido que mais de 50% das aquisições destroem valor para o investidor. Para evitar isto, no ponto de vista do especialista, é preciso tomar três medidas importantes: a) selecionar adequadamente a empresa a ser adquirida, avaliando de forma quantitativa e qualitativa todas as empresas do mercado alvo, b) fazer uma avaliação profissional, com vários cenários, incluindo as sinergias, e estruturar as ofertas deixando os principais riscos do lado do vendedor, através de estruturas tais como “earn out”, ou “scrow account”, e c) estruturar a transação de forma a incentivar a colaboração necessária para implementar a “integração pós fusão”, ou “post merger integration” em inglês.

Como evitar "the private firm discount", em venda de empresas de capital fechado?

De outro lado, do ponto de vista do vendedor, salientou que o deságio médio em transações de venda de empresas de capital fechado versus transações de venda de empresas de capital aberto, é de 20 a 30%, conhecido em inglês como “the private firm discount”. O principal motivo disso é justamente a ausência, em algumas transações de venda de empresas de capital fechado, de uma preparação profissional para a venda, e de um processo competitivo de apresentação a investidores, ou “road show” em inglês, que procure, dentro e fora do Brasil as melhores ofertas do mercado. Na prática, na ausência de preparação e de processo competitivo de venda, o deságio pode chegar a ser bem mais do que 50%.

 

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Fonte: Amcham

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