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Artigo Revista HealthCare - Julho de 2015

Investidores estrangeiros - Impactos da Lei 13.097/15 nas vendas de empresas no Brasil

Para Néstor Casado, CEO da CAPITAL INVEST M&A Advisors, reputada assessoria financeira em fusões e aquisições/ vender uma empresa, a abertura ao capital estrangeiro na Saúde deverá trazer novos conceitos que beneficiarão e valorizarão os profissionais, tais como melhorias em gestão, na qualificação e na remuneração. "Mais benefícios aos profissionais implicarão em um melhor atendimento com menor custo."

Ainda de acordo com Casado, com ou sem a lei haveria uma tendência à consolidação de hospitais de pequeno porte em redes maiores para diminuir custos e melhorar os serviços. "A lei simplesmente deverá trazer mais capital e, portanto, acelerar esta consolidação.

Relembrando que sem potenciais compradores, alguns destes hospitais simplesmente iriam à falência. Eis um dos motivos pelos quais mais de 15 mil leitos foram fechados nos últimos cinco anos."

Em longo prazo, o cidadão brasileiro deverá ser o principal beneficiado, pois novos investimentos deverão fomentar a concorrência. "Tudo isto sob a premissa de que o CADE fará bem seu papel, permitindo a necessária consolidação, sem que cheguemos a uma situação de oligopólio", salienta Casado.

Do mesmo modo defende o professor Marcelo Caldeira Pedroso, que ressalta o quanto é fundamental uma regulação efetiva. "Isso implica na divulgação de resultados financeiros e não-financeiros para as operações no Brasil, independente do capital ser aberto ou não."

Recente pesquisa realizada pela KPMG, que ouviu cerca de 200 profissionais de saúde no Brasil, apontou que 33% dos gestores acreditam que a ampliação dos programas de Parceria Público Privada (PPP) traria mais benefícios para o setor.

A redução de impostos (21%) e o aumento do percentual do PIB destinado à saúde (21%) também são fatores que, segundo os entrevistados, podem alavancar o segmento no Brasil.

O estudo também questionou sobre a Lei 13.097/15, que permite a participação direta ou indireta, inclusive o controle, de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde no Brasil. Os números apontam que 54% dos participantes da pesquisa a consideram necessária, enquanto que 38% a classificam como fundamental.

"O processo de consolidação de vários hospitais aliado a uma gestão com qualidade e eficiência pode gerar grandes e rentáveis grupos. É esse potencial que os investidores estrangeiros enxergam no Brasil", explica Marcos Boscolo, Sócio de auditoria e líder do setor de saúde da KPMG no Brasil.

O mercado americano é o principal investidor no Brasil. Mas, nos últimos anos, houve também um crescente interesse de multinacionais asiáticas de países como Japão, Coreia do Sul e China.

O especialista afirma que o interesse no país sempre existiu e continua a existir, contudo, o cenário atual não é atrativo para nenhum tipo de investimento. "Infelizmente, a abertura ao capital estrangeiro veio em um momento de muita incerteza do país."

Além disso, são muitas as barreiras que investidores estrangeiros encontram no Brasil. Entre elas,  destaca-se a mão de obra menos qualificada, tanto na parte clínica, como na administrativa. " Muitos CEOs e CFOs são médicos sem visão de gestão. Há também a barreira do idioma e da infraestrutura", diz Boscolo.

Contudo, a maior preocupação é quanto às questões regulatórias, uma vez que as demais barreiras estarão sob a gestão dos investidores. Porém, mudanças em legislação ou algum tipo de restrição que o governo venha a adotar, que não está sob a gestão do controlador do hospital, poderá afetar os negócios.

"A solução é o governo passar confiança ao mercado, garantindo que não haverá mudanças nas regras do jogo e isso tem que estar formalizado em legislação, e não em promessas ou pronunciamentos públicos. Veja o exemplo na educação, em que grande parte das instituições de saúde baseava seu crescimento em função de alunos do FIES. Recentemente, as regras mudaram, tornando o acesso mais restritivo. Imediatamente, as ações do setor de saúde caíram 20% na bolsa de valores", salienta.

 

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Fonte: revista healthcare management

 

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