Como Comprar uma Empresa Criando Valor: “Value Investing” e as 3 Armadilhas em Aquisições
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Comprar  uma empresa pode representar uma excelente, rentável e rápida oportunidade de expansão. Ainda a compra de empresas em funcionamento costuma implicar menores riscos do que alternativas de “crescimento orgânico”. Entretanto, é preciso estar atento na hora de comprar uma sociedade pois, assim como existem casos de sucesso, em torno de 50% das aquisições de empresas “destroem valor para o adquirente”.

comprar empresa criando valor
(Foto por rawpixel/CC0)

 

ANÁLISE FUNDAMENTALISTA (“VALUE INVESTING”): COMO COMPRAR UMA EMPRESA CRIANDO VALOR

Benjamim Graham nos seus livros “Security Analysis” e “The Intelligent Investor”, explica como “preço” e “valor” são dois conceitos diferentes. Ainda defende que deve ser priorizada a compra de participações ou ações de empresas nas quais o “preço” seja substancialmente inferior ao “valor”. Esta metodologia de investimento é conhecida como “Value Investing” ou “Investimento em Valor” em português.

A determinação do “valor da empresa” a ser adquirida (de forma “isolada”), e muito especialmente o “valor da empresa” para o “comprador” (de forma “combinada” com o adquirente), deve seguir a técnica de “análise fundamentalista” que, de forma simplificada, é o valor presente dos fluxos futuros que a empresa comprada adicionará na empresa compradora.

Esta metodologia foi aplicada com conhecido êxito por renomados investidores, tais como o próprio “Warren Buffet“, o homem mais rico do planeta, que já comprou mais de 70 empresas, e é a mesma metodologia que, na prática, seguiremos neste artigo. Apenas adaptaremos os mesmos conceitos do “Value Investing” à compra de empresas, de capital fechado ou aberto, que depois poderão ser integradas na empresa adquirente.

Outra metodologia de investimento também pode ser usada para encontrar o melhor momento de compra ou venda de empresas de capital aberto é a “análise técnica“, que é o estudo, por meio de gráficos, dos movimentos na Bolsa de Valores do “preço” de uma empresa, com o objetivo de prever as movimentações futuras. Na prática esta metodologia de investimento é fortemente criticada pelos especialista, e não é usada pelos principais fundos, nem pelos mais renomados investidores (incluindo o próprio Warren Buffet). Por estes motivos não usaremos esta metodologia de investimento nas análises a seguir.

Neste texto revisaremos “na prática” os pontos mais importantes, e explicaremos o “passo a passo” da compra de empresas para que você obtenha êxito e se enquadre nos 50% dos investidores que “criam valor” através de “crescimento inorgânico” (comprar uma empresa em funcionamento):

  • Vantagens (principais “racionais”) de comprar uma empresa pronta
  • As 3 principais armadilhas nas aquisições de empresas e como evitá-las
  • Processo profissional de compra de empresas em funcionamento
  • Profissionais envolvidos na compra de uma empresa
  • Dicas em cada fase do processo de aquisição.
  • Conclusão.

Boa leitura!

 

O QUE SÃO “AQUISIÇÕES OU COMPRA DE EMPRESAS”

Aquisições ou compra de sociedades, são operações nas quais uma empresa A (adquirente), compra uma participação em uma empresa B (adquirida), normalmente de menor tamanho. A aquisição dessa participação pode ser total ou parcial, maioritária ou minoritária. No caso de uma participação total, a empresa adquirida pode ser extinta e completamente integrada na adquirente (incorporação), ou pode operar de forma independente, com maior ou menor grau de integração na empresa adquirente. Em resumo: (A+Bi)=>A ou (A+Bi)=>A,Bd. Sendo Bi: B independente de A, e Bd: B dependente de A.

As aquisições “estratégicas” de empresas, que é o foco deste artigo,  costumam ser compras de participações maioritárias e totais de empresas, com integração das operações da empresa adquirida na empresa adquirente para assim efetivar as “sinergias”. Quer dizer: (A+Bi)=>A ou (A+Bi)=>A+Bc. Sendo Bi: B independente de A, e Bc: B controlada por A.

A aquisição ou compra de empresas, que é um termo financeiro, não deve ser confundido com os seguintes termos:

  • Incorporação de empresas, que é a operação pela qual uma empresa A adquire a totalidade das cotas de uma empresa B, e tem como consequência a extinção de empresa B.  Uma “incorporação” é um caso particular de “aquisição”, no qual a empresa adquirida é extinta. Quer dizer: (A+B) => A
  • Fusão de empresas, que é a operação na qual uma empresa A e uma empresa B são extintas para formar uma terceira empresa C. Quer dizer: (A+B) => C
  • Cisão de empresa, que é a operação por meio da qual um empresa A transfere todo ou uma parte de seu patrimônio para uma ou mais sociedades. Quer dizer: A => A,B; ou A =>B,C
  • Joint Ventures, que é a operação na qual duas empresas decidem criar uma terceira, com um propósito específico, que funcionará de forma independente a suas sócias. Quer dizer: A,B => A,B,C (sendo C participada por A e B).

 

VANTAGENS DO CRESCIMENTO INORGÂNICO (COMPRAR UMA EMPRESA) VERSUS CRESCIMENTO ORGÂNICO (INVESTIR NA PRÓPRIA EMPRESA)

Existem inúmeras vantagens ou “racionais” para comprar uma empresa já existente.

Alguns destes “racionais” que normalmente justificam a aquisição de uma empresa funcionando são:

  • Sinergias decorrentes da aquisição (ver detalhe abaixo)
  • Crescimento para obter economia de escala
  • Diversificação geográfica
  • Redução de custos após comprar uma empresa
  • Consolidação do mercado
  • Acesso a ativos únicos como capital humano, know how, etc.
  • Créditos tributários
  • Acesso a canais de distribuição/ clientes.
  • Redução da concorrência ao se adquirir um concorrente.
  • Oportunidade de comprar uma empresa por valor competitivo.
  • Aquisição de tecnologias ou patentes.
  • Time to market. Especialmente quando se trata de expansão.
  • Etc.

Referente às “sinergias“,  costumam ser classificadas em termos acadêmicos em:

  • Sinergias Financeiras. Normalmente empresas maiores costumam dispor de melhores condições de financiamento. Ainda o motivo da aquisição de uma empresa num país com uma mercado de crédito mais desenvolvido, pode melhorar o custo de financiamento da empresa adquirente.
  • Sinergias de Distribuição. As grandes redes de varejo e distribuição (canais) costumam limitar o número de fornecedores. Portanto fornecedores maiores conseguem acessar mais facilmente aos grandes varejistas e distribuidores. Ainda quando duas empresas tem acesso a canais e clientes diferentes, elas conseguem fazer “cross selling” ou venda cruzada.
  • Sinergias Operacionais. A aquisição de uma empresa mais eficiente, ou com melhor tecnologia possibilita a  incorporação de melhores práticas (“best practices”). Ainda a incorporação de uma empresa e o consequente aumento de tamanho, pode implicar em economias de escala operacionais.
  • Sinergias de Marketing. O aumento da escala permite diluir os custos de marketing entre uma receita maior.
  • Sinergias Estratégicas. O crescimento “inorgânico” (via compra de empresas) permite crescer mais rápidamente, e pode diminuir riscos , do que o crescimento “orgânico” (via investimentos internos). Outra sinergia estratégica pode ser a consolidação de um segmento de mercado para diminuir o nível de concorrência.
  • Sinergias Fiscais. Uma empresa pode reduzir sua tributação adquirindo outra que apresente prejuízos acumulados.

Entretanto seja qual for seu objetivo (ou “racional” na aquisição), ou tipo de sinergias almejadas, existe uma regra que sempre deve ser seguida: “Não se deve pagar mais do que o benefício que será obtido com a aquisição da empresa”. Na prática, conforme veremos, isto implica em:

  1. Comprar uma empresa (quando comparada com todas as outras empresas do mesmo segmento) muito alinhada com a sua estratégia e cultura, ou seja, uma empresa com a qual a perspectiva de “lucro” na aquisição é maior.
  2. Não arriscar na sua proposta de aquisição da empresa.
  3. Planejar o PMI para obter as sinergias certas, que impactam positivamente no lucro.

 

COMO COMPRAR UMA EMPRESA CRIANDO VALOR EVITANDO AS 3 PRINCIPAIS ARMADILHAS? “VALUE INVESTING” NA PRÁTICA.

Apesar de que a compra de uma empresa já existente, quando corretamente executada, sempre deve adicionar valor tanto para o adquirente quanto para o adquirido, na prática isto nem sempre é assim.

Quando uma sociedade de capital aberto anuncia uma aquisição, o mercado normalmente a “pune” com uma diminuição da sua cotação, quer dizer: após o anúncio, o adquirente tende a perder valor de mercado.

O motivo, conforme comentado previamente, é que mais do que 50% das aquisições de empresas “destroem” valor para o comprador.

Agora, quais são as principais “armadilhas” responsáveis pela potencial “destruição de valor para o adquirente”, e como conseguir que a sua empresa fique do lado do 50% que consegue criar valor em uma aquisição?

Fruto de uma experiência de mais de 20 anos com fusões e aquisições, acreditamos que os 3 principais motivos desta potencial “destruição de valor” para o adquirente são os seguintes:

  1. “Target” de aquisição inadequado.
  2. Valor ofertado excessivo.
  3. Implementação de sinergias da compra aquém do esperado.

Vejamos então o que você pode fazer para conseguir “criar valor numa aquisição”:

1. Escolha certa do “Target” de Aquisição

Se você trabalha em desenvolvimento de negócios ou na área financeira de uma empresa média ou grande, com certa frequência recebe o contato de Boutiques de M&A ou Bancos de Investimento lhe oferecendo empresas à venda.

A sua primeira inclinação pode ser efetivamente assinar um NDA e começar a analisar o “Deal” de aquisição, com o intuito de não deixar passar o que parece ser uma excelente oportunidade de “crescimento inorgânico” para sua empresa.

Entretanto, antes de mais nada, você deveria se fazer as seguintes perguntas:

  • Quantas empresas similares a esta existem nesse segmento? 10? 50? 100? 200?
  • Qual a probabilidade de que esta aquisição (e não outra) seja o melhor investimento para minha empresa?
  • Comprar esta empresa está alinhada com a estratégia da minha corporação? Esta aquisição está mais ou menos alinhada do que outras alternativas?
  • A cultura empresarial deste “target” de compra está alinhada com a cultura da minha empresa? Está mais ou menos alinhada do que outras alternativas?
  • Qual a reputação deste potencial “target” de compra? É melhor ou pior do que outras opções de aquisição?
  • Quais as sinergias que poderão ser geradas na compra desta sociedade? São maiores ou menores do que outras alternativas de aquisição do mercado?
  • Tomando em conta que: i) iniciar o “deal” com este target implicará em despender limitados recursos humanos e financeiros na análise da oportunidade, due diligence, contrato, e muito especialmente, que ii) a eventual aquisição deste target representará um enorme investimento; não valeria a penas fazer um pequeno investimento em um “estudo de mercado” “pre-Deal” para responder a estas e outras perguntas?

De fato, se você se fizer as perguntas acima e decidir fazer um “estudo de mercado” “pre-deal” com o intuito de selecionar o seu “target” (mesmo que o resultado do estudo seja justamente continuar com o “Deal” que lhe propuseram), a sua empresa já terá evitado a primeira armadilha mais comum na compra de uma empresa, e estará no rumo certo para ganhar valor em uma aquisição.

2. Valor da Aquisição “justo” ou “win-win” – “Análise fundamentalista” da aquisição.

Assim que a aquisição de uma determinada empresa for priorizada pela sua Diretoria ou Conselho, você tentará todo o possível para conseguir fechar a transação.

Ainda mais: quando o processo de venda de uma empresa é “competitivo” (quando há várias empresas interessadas na aquisição) o assessor financeiro em fusões e aquisições do vendedor, responsável pela “consultoria em venda de empresas“, realizará uma espécie de “leilão na venda”, que obrigará a sua empresa a fazer a melhor oferta de compra possível.

Frequentemente, isto significa que ficará tentado a fazer ofertas de aquisição acima do que deveria.

Para evitar uma oferta alta, é muito importante avaliar a empresa adquirida de uma forma profissional e “conservadora”. O cálculo do valor da empresa adquirida ou valuation deve ser realizada seguindo os conceitos do “análise fundamentalista“, que de forma simplificada consiste em calcular o valor presente dos fluxos de caixa operacionais futuros, adicionados pela empresa adquirida uma vez integrada na empresa adquirente. Este procedimento também e conhecido como “avaliação de empresas por fluxos de caixa descontados“.

Para mais detalhes sobre as diferentes metodologias usadas para avaliar empresas você pode ler estes artigos:

VALUATION: 3 METODOLOGIAS PARA AVALIAR UMA EMPRESA

AVALIAÇÃO DE EMPRESAS PELO FLUXO DE CAIXA DESCONTADO

COMO CALCULAR O VALOR DA SUA EMPRESA POR MÚLTIPLOS

 

É normal que existam divergências entre as expectativas do vendedor, e as do comprador, sendo as do primeiro sempre mais otimistas do que as do segundo.

Nesses casos, o ideal para solucionar o impasse, é fazer propostas com a estrutura “earn out”. Quer dizer, se paga pela compra, num primeiro momento por quanto a empresa vale, e se deixa um “prêmio” posterior, caso as expectativas do vendedor sejam atingidas.

compra de empresas valor
(Foto por rawpixel/CC0)

A avaliação das sinergias é extremamente importante pois, impactam diretamente o seu “lucro” na aquisição. Quer dizer, você paga pelo  valor da empresa de forma isolada, só que na prática a empresa adquirida, corretamente integrada na sua, poderá lhe adicionar valor. Seja através da economia de escala, da comercialização de seus produtos, da redução de custos administrativos, etc.

Sempre que possível, você deverá evitar pagar pelo valor estimado das sinergias de aquisição, pois são incertas e sempre dependerão da sua habilidade para integrar o “target”, procedimento conhecido como “integração post fusão” (“post merger integration” ou PMI em inglês).

Durante a Due Diligence da sociedade alvo da aquisição, devem-se quantificar tanto os “passivos conhecidos”, que são determinados, quanto os “passivos desconhecidos”, sendo que ambos tendem a zerar em alguns anos. Você só deverá liberar 100% da sua oferta quando estes passivos estiverem zerados.

Se você seguir estes passos, já terá evitado a segunda armadilha mais comum na compra de uma empresa já existente, e continuará no rumo certo para ganhar valor na aquisição.

3. PMI: a entrega das sinergias previstas durante o “Deal” (processo para comprar uma empresa).

Na prática, a transação de compra da empresa em funcionamento não finaliza com a assinatura do acordo de compra-venda ou “signing”. A partir desse momento, é muito importante a correta “Integração Post Fusão” (“Post Merger Integration” ou PMI em inglês), com o intuito de realizar as sinergias que foram consideradas na elaboração da sua oferta de aquisição, e que deverão ser seu “ganho” ou “lucro” na compra da empresa.

Contar com um time de executivos, ou de consultores externos, especializados no assunto com certeza que é muito importante.

Igualmente importante é tomar certas medidas bem antes do “signing” com o intuito de facilitar o PMI. Ex:

  • Escolher empresas alvo menores que o investidor/ adquirente (máximo 50%), para assim limitar riscos e complexidades da integração post fusão.
  • Efetuar uma parte do pagamento da compra da empresa como “earn out”, com o intuito de premiar a obtenção de resultados e sinergias após a aquisição.
  • Efetuar uma parte do pagamento da compra com ações da sua própria sociedade, como forma de incentivar ao adquirido a colaborar na integração post fusão.

Se você consegue efetivar as sinergias previstas, já conseguiu evitar a terceira armadilha mais comum na compra de uma empresa, e deveria ficar do lado do 50% dos adquirentes que ganham valor na aquisição.

 

FASES DO PROCESSO “PROFISSIONAL” DE COMPRA DE UMA EMPRESA

A compra de uma empresa funcionando, quando é realizada de forma “profissional”, costuma contar com as seguintes fases, que tem como objetivo último a diminuição de riscos e o aumento do valor da aquisição para o adquirente:

Fases do Processo para Comprar uma Empresa

  • Estudo de mercado “pre-Deal”: conforme previamente explicado, antes de entrar no “Deal” (ou processo para comprar uma empresa) é muito importante avaliar todas as opções do mercado para escolher os “targets” mais alinhados com a sua estratégia e cultura empresarial.
  • Assinatura de NDA: entrando em contato com os “top targets”, assina-se um acordo de confidencialidade (“Non Disclosure Agreement” ou NDA em inglês) e inicia-se o “Deal” recebendo-se os dados sigilosos da empresa alvo da compra, incluindo as informações contábeis e financeiras.
  • Modelagem e valuation da empresa: com as informações contábeis e financeiras, é possível realizar um modelo financeiro para se avaliar a empresa alvo, já considerando as sinergias.
  • Oferta não vinculante de aquisição: estimado o valor potencial da empresa, e das sinergias, costuma-se apresentar uma “oferta não vinculante”, ou seja, uma oferta que só será confirmada após a “Due Diligence”.
  • Due Diligence (DD): caso seja aceita a oferta “não vinculante” é muito importante a verificação dos dados legais, financeiros e operacionais da empresa funcionando, com o objetivo de confirmar os dados nos quais está baseada o valuation da companhia, e os principais riscos ou “passivos”. Uma verificação imprescindível que diminui os riscos na compra da empresa.
  • Oferta vinculante de aquisição: confirmados os dados e situação da empresa, e seus principais riscos, já é possível formalizar uma “oferta vinculante” ou final.
  • Assinatura do acordo de compra-venda: aceita a oferta final, os advogados (assessores legais) negociam os termos do contrato de “compra-venda” para assim finalizar o “Deal” (processo para comprar uma empresa).

 

PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS NAS AQUISIÇÕES DE EMPRESAS

Comprar uma empresa em operação requer profissionais com experiência, especializados em determinadas áreas e que atuem de forma complementar, para que assim a sua sociedade consiga “criar valor” na aquisição, conforme resumido neste gráfico.

Profissionais [ara Comprar uma Empresa
Profissionais em cada fase do Processo de Compra de Empresas

Consultoria Estratégica ou Assessor Financeiro em M&A “especializado” em: 1) compra de empresas e 2) consultoria pre-aquisição

Conforme explicado, o estudo de mercado prévio à aquisição de uma empresa já existente, é um trabalho de consultoria com objetivo de mapear todos as potenciais empresas “alvo” e, obter e analisar informações públicas e privadas sobre elas, principalmente através de entrevistas. O objetivo final é priorizar estes “targets” em função de seu alinhamento com a estratégia e a cultura do adquirente.

Este trabalho envolve tanto “know how” de “consultoria”, quanto “know how” de “M&A” (“Mergers&Acquisitions”) e pode ser realizado por:

  • Uma Consultoria de Estratégia, do estilo da BCG, Bain ou McKinsey, ou por
  • Um Assessor Financeiro em M&A “especializado”, que combine experiência e “know how” tanto em: 1) consultoria estratégica, como em 2) assessoria em M&A.

A principal diferença entre as duas opções:

  • O investimento, pois o custo na contratação de Empresas de Consultoria Estratégica é maior do que o de boutiques de M&A. Isto ocorre, pois, o estudo de mercado facilitará enormemente as chances de êxito da transação (que é a base principal da remuneração, no caso das boutiques de M&A).
  • Adicionalmente, uma boutique de M&A que tenha realizado o “estudo de mercado” partirá com vantagem nas fases posteriores do “Deal”, pois, já conhecerá profundamente o “target”, seus clientes, fornecedores, reputação de mercado, etc. Dados imprescindíveis para se conseguir fechar um acordo “win-win”.

Caso você escolha a segunda opção (Boutique de M&A/ Assessor Financeiro “especializado”) apenas verifique e certifique-se de que ele, além de know how em compra de empresas, também tem experiência em consultoria estratégica, imprescindível para fazer um “estudo de mercado” de qualidade.

Assessor Financeiro em compra de empresas: Boutique ou Banco

Uma consultoria especializada em compra de empresas pode lhe auxiliar em todas as etapas do “Deal” (ou processo de compra de uma empresa):

  • Negociação do NDA (acordo de confidencialidade prévio à compra da empresa). Normalmente um assunto padrão e relativamente simples, que apenas precisará da anuência de seu jurídico.
  • Valuation da empresa. O seu assessor (ou consultor) em M&A/ compra de empresas inicialmente calculará o valor do “target” de forma isolada, e posteriormente precisará da colaboração de seu financeiro ou área de desenvolvimento com o intuito de quantificar as “sinergias”.
  • Negociação Financeira/ Oferta Não Vinculante de aquisição. O seu consultor (ou assessor) em M&A/ compra de empresas terá contato direto com cada um dos sócios do adquirente, com o intuito de entender seus anseios e objetivos, e posteriormente lhe ajudará a formular uma “oferta não vinculante” win-win, que cubra tanto os anseios e objetivos dos sócios do target, como o seu próprio objetivo de “criação de valor”.
  • Due Diligence. O seu assessor em compra de empresas poderá coordenar seus auditores, advogados e pessoal operacional na Due Diligence Financeira, Legal e Operacional respectivamente.
  • Oferta Vinculante de aquisição. Seu consultor em compra de empresas analisará o resultado da Due Diligence e poderá negociar uma Oferta Vinculante ou “Final”.
  • Negociação Legal. Seu consultor financeiro em compra de empresas em funcionamento poderá auxiliar seu assessor legal (que lidera esta fase) no lado financeiro (por exemplo nas implicações de algumas cláusulas contratuais sobre a valuation da sociedade), e no histórico negocial.
compra de empresas consultoria
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Auditores

Você precisará contratar auditores que analisarão os principais riscos financeiros e fiscais da aquisição, e verificarão se os dados contábeis (nos quais baseou o seu “valuation“), refletem a realidade financeira e patrimonial da empresa a ser adquirida.

Assessor Legal

Você precisará necessariamente contratar um bom time de advogados com especialidades complementares (principalmente contratual, societário e trabalhista), e experiência em “M&A”/ compra de empresas com o intuito de lhe auxiliar a:

  • Mapear os principais riscos da aquisição (durante a fase de Due Diligence).
  • Negociar um contrato de compra-venda, alinhado com sua “oferta vinculante”, que mitigue os principais riscos mapeados, e ainda outros que poderão ocorrer futuramente.

É recomendável que o advogado seja informado dos termos da sua “oferta não vinculante” antes de apresentá-la aos sócios da empresa “alvo”. O motivo é o alinhamento desta oferta não vinculante com expectativas e implicações legais.

Para a assinatura do NDA, assunto bastante simples e padronizado, você apenas precisará da anuência de seu jurídico.

 

COMPRAR UMA EMPRESA COM SUCESSO: DICAS PARA CADA FASE DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE UMA EMPRESA

Estudo de mercado “pre-Deal”:

Assinatura de NDA:

  • Avaliar o modelo de NDA cuidadosamente, tendo a certeza de que não existe nenhum compromisso além da confidencialidade e um interesse preliminar em comprar a empresa.

Modelagem para avaliar a empresa:

  • Fazer uma modelagem financeira, estimando um range de preço baseado em diferentes cenários, entre outros:
    • Cenário pessimista
    • Cenário otimista, que normalmente coincide com as expectativas do empreendedor

Oferta não vinculante de aquisição:

  • Em algumas aquisições pode ser uma boa ideia fazer uma oferta na seguinte estrutura:
    • Valor Fixo, no valor do cenário pessimista.
    • Valor Variável (ou êxito), complementando o valor do fixo até o cenário otimista.
  • Ainda é muito importante condicionar os pagamentos da compra da empresa ao empreendedor a situações “go – not go”. Ex: aprovações regulatórias, CADE, obtenção de licenças, etc.

Due Diligence (DD):

  • Vale a pena contratar bons advogados, auditores, e empresa consultoria ou de engenharia, especializados no setor de fusões de aquisições de empresas. O custo é pequeno quando comparado com o valor dos riscos envolvidos na compra de uma empresa.
  • Investir numa DD com um mínimo de garantias (exclusividade, irretratabilidade da NBO, etc)

Oferta vinculante de aquisição da empresa:

  • Respeitar o “acordo de cavalheiros” praxe do mercado: se não foram encontradas “surpresas” na DD, a Oferta Vinculante de compra da empresa deve ser muito similar à Oferta Não Vinculante inicial.

Assinatura do acordo de compra da empresa:

  • Tomar em conta que muitas transações não chegam ao final por inflexibilidade das partes nas negociações contratuais finais.
  • Contar com um bom escritório de advocacia, com experiência em F&A.
  • Continuar contando com a sua consultoria financeira em compra de empresas até o final da transação, com o intuito de ajudar e complementar os seus advogados nas implicações das negociações legais na modelagem financeira, no histórico negocial, e nos detalhes da estruturação.

 

CONCLUSÃO: COMO COMPRAR UMA EMPRESA CRIANDO VALOR

Existem muitos motivos para comprar uma empresa já aberta e em funcionamento.

Entretanto, na prática, mais de 50% das transações de compra de empresas destroem valor para o adquirente, por três principais motivos:

  • “Target” de compra inadequado
  • Valor de aquisição excessivo
  • Efetivação de sinergias aquém do previsto
como comprar empresa em funcionamento
(Foto por rawpixel/CC0)

Contando com os profissionais adequados em cada fase do processo de aquisição, e seguindo as recomendações deles, você poderá evitar estas (e outras) armadilhas comuns na compra de empresas.

Entre os profissionais adequados que você precisará contratar é o seu assessor financeiro em M&A, que poderá lhe acompanhar e auxiliar em todas as fases do “Deal” (processo para comprar uma empresa).

Ainda, se você contrata um assessor financeiro “especializado” que combine experiência não apenas: 1) em M&A como ainda, 2) em consultoria estratégica, ele poderá lhe ajudar a mapear e priorizar os “targets” ou “alvos” ideais de aquisição.

 

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