Em 10 passos: Avaliação de Empresas para Compra pelo Fluxo de Caixa Descontado
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Avaliação de Empresas para Compra pelo Fluxo de Caixa Descontado. Quer conhecer “os 10 passos” para calcular o valor da sua empresa? Quer saber “quando” usar este método de avaliar sua empresa. Quer descobrir como usar a sua avaliação para “melhorar o Valuation” da sua empresa? O que é um “laudo de avaliação de empresa”?

Na hora de avaliar uma empresa para compra, o método mais utilizado é a “Avaliação pela Renda”, também conhecido como “Fluxo de Caixa Descontado” (ou FCD),  ou “DCF” (Discounted Cash Flow em Inglês).

O motivo deste método de avaliação de empresas ser o mais usado para a compra de empresas, é que para usar este procedimento é necessário em primeiro lugar entender todos os detalhes da empresa: tipos de receita e suas perspectivas, principais despesas, quais são despesas fixas e quais são variáveis, investimentos previstos, necessidades de capital de giro, etc.

Quer dizer, quando um potencial investidor analisa uma avaliação de uma empresa realizada pelo “fluxo de caixa descontado”, ele conseguirá entender detalhes estratégicos, operacionais, financeiros e contábeis da empresa e, portanto, poderá ficar suficientemente confortável para fazer uma proposta de compra da sociedade alvo.

 

Avaliação de Empresas

 

Se você for um investidor interessado em realizar a aquisição de uma empresa, precisará conhecer este método de avaliação de empresas, mesmo que você não realize pessoalmente a avaliação da sua companhia, para assim conseguir fazer uma oferta de aquisição alinhada com seus interesses.

Se você for o sócio de uma companhia, e estiver pensando em vender a participação da sua empresa para um outro sócio ou para um investidor, você também precisará conhecer como a sua empresa é avaliada, mesmo que contrate uma “consultoria em avaliação de empresas” para avaliá-la, pois assim conseguirá entender melhor o resultado do trabalho de seu assessor financeiro.

Boa leitura!

Na CAPITAL INVEST – M&A Advisors, assessoramos com foco na avaliação, compra e venda profissional de empresas médias ou grandes: i) de receita bruta anual entre R$20 milhões e R$2 bilhões, ii) com lucro líquido positivo, e iii) (idealmente) com boas perspectivas de crescimento. A consequência das nossas parcerias em mais de 50 países de 4 continentes, conseguimos vender a sua empresa no Brasil e no Exterior.

Se este for o perfil da sua empresa ou da empresa que procura avaliar ou adquirir, entre em contato através deste formulário.

Somos uma reputada boutique de M&A com presença global especializada em finanças corporativas, e teremos o maior prazer em agendar uma visita em nosso escritório localizado em pleno centro financeiro de São Paulo, SP, Brasil.

 

QUANDO USAR A AVALIAÇÃO DE UMA EMPRESA PELO DCF?

Conforme explicado, a avaliação pelo fluxo de caixa descontado (ou DCF em inglês) é o método de valuation mais utilizado para comprar ou vender uma empresa.

Conforme explica este artigo, existem três métodos para avaliar uma empresa para a venda, sendo que a técnica do Fluxo de Caixa Descontado ou  DCF em inglês é adequado na avaliação de empresas com estas características:

  • Lucrativas (com Lucro Líquido positivo), ou com expectativa de se tornarem lucrativas no médio prazo.
  • Que geram fluxos de caixa positivos, ou gerarão fluxos de caixa positivos no médio prazo.
  • Com receitas, despesas e investimentos que possam ser estimados para os próximos anos com certo grau de precisão.
  • O risco da empresa (custo de capital próprio) pode ser estimado.

Portanto este método de avaliação de empresas não é adequado:

  • Para start ups que não tem prevista geração de caixa nos próximos anos, ou com fluxo de caixa dificilmente previsível (nesses casos é comum calcular o valor da empresa por  “Múltiplos”)
  • Para empresas em dificuldades financeiras que devam entrar em recuperação judicial para ser liquidadas (nestes casos é usado a metodologia do “Valor Patrimonial”)

Para conhecer mais sobre as diferentes metodologias de avaliar sociedades e quando usá-las, sugerimos ler o artigo:

VALUATION: 3 METODOLOGIAS PARA AVALIAR UMA EMPRESA

 

Para informações detalhadas e exemplos sobre a metodologia de cálculo do valor de uma empresa por múltiplos, sugerimos a leitura deste artigo:

COMO CALCULAR O VALOR DA SUA EMPRESA POR MÚLTIPLOS

 

10 PASSOS PARA A AVALIAÇÃO DE EMPRESAS PELO FLUXO DE CAIXA DESCONTADO

Para realizar a avaliação de uma empresa pelo DCF, é preciso realizar os 10 passos que explicaremos a continuação:

  1. Diagnóstico Inicial (situação atual)
  2. Determinação de Premissas/ Cenários de avaliação da empresa (situação futura).
  3. Projeções de Fluxos de Caixa Futuros
  4. Cálculo do Valor Residual
  5. Cálculo da taxa de desconto
  6. Valor da Empresa ou “Enterprise Value”.
  7. Cálculo da “Dívida Liquida”.
  8. Cálculo do “Shareholder Value” ou “Valor do Acionista.
  9. Análise de resultados e reavaliação de premissas.
  10. Apresentação formal do valuation (“laudo de avaliação” da empresa)

 

Avaliação de Empresas Compra DCF
Os 10 Passos para Avaliar uma Empresa para Compra pelo DCF

 

1.- Diagnostico inicial de avaliação da empresa (situação atual)

Em um primeiro momento é preciso avaliar o histórico da empresa, principalmente o DRE (“Demonstrativo do Resultado do Exercício” ou “Demonstração de Resultado do Exercício”), para avaliar a evolução das diferentes receitas da empresa (dos diversos produtos e serviços), principais despesas, investimentos, necessidades de capital de giro, etc.

Nesta etapa também é importante calcular o EBITDA (“Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”) e os Fluxos de Caixa Operacionais dos exercícios passados.

 

2.- Determinação das premissas/ cenários de avaliação da sociedade (situação futura)

Partindo do histórico da empresa, é necessário estimar como o EBITDA e o Fluxo de Caixa Operacional poderá se comportar no futuro.

Para isso é necessário determinar as premissas básicas sobre as perspectivas futuras. Ex:

  • Potenciais crescimentos de receita via aumento de preços ou de unidades vendidas.
  • Aumento ou diminuição de rentabilidade
  • Inflação
  • Investimentos necessários
  • Quais custos são fixos (independem do tamanho da empresa), ou variáveis (dependem do tamanho da empresa).
  • Etc.

Para determinar as premissas é importante que o Assessor Financeiro, que conhece bem as técnicas de avaliação de empresas e tem experiência na análise financeira, estratégica e concorrencial, trabalhe em parceria com os Diretores da empresa, que conhecem bem a empresa, suas operações, sua estratégia, e a concorrência.

O normal é reunir as premissas em grupos ou “cenários de avaliação”. Ex:

  • Cenário pessimista
  • Cenário esperado
  • Cenário otimista

 

3.- Projeções de fluxos de caixa operacionais futuros

Uma vez determinadas as premissas e principais cenários, é necessário formular os principais itens da DRE para conseguir projetar os fluxos de caixa operacionais futuros. Ex:

  • Receitas (que dependem das premissas de crescimento)
  • Despesas (despesas fixas não dependem do tamanho da empresa, já as variáveis sim)
  • Investimentos (que podem ser diferentes em cada cenário)
  • Necessidades de Capital de Giro (que normalmente dependem do crescimento da empresa)

Para o cálculo destes fluxos de caixa “operacionais”, é desconsiderado tudo o que não é “operacional”: ex: juros, receitas e despesas extraordinárias, amortizações, etc. O objetivo em um primeiro momento é calcular o “Valor da Empresa” ou “Enterprise Value” sem considerar a dívida. Já num segundo momento será considerada a dívida para calcular o “Shareholder Value” ou valor que os sócios deverão receber no momento de vender sua empresa.

 

Valuation: Como Calcular o Valor de uma Empresa

 

4.- Cálculo do valor residual (“terminal value”)

Normalmente fica muito difícil estimar com um mínimo de confiabilidade os fluxos de caixa operacionais futuros por mais do que 5 anos.

Entretanto, como a empresa quase sempre tem uma “vida futura” superior aos 5 anos, são estimados os fluxos de caixa a partir destes 5 anos, com base no último fluxo de caixa estimado, ou de uma média dos últimos fluxos de caixa estimados, com algumas hipóteses simples. Normalmente sem crescimento do fluxo de caixa operacional a partir do último ano estimado ou com crescimento constante.

A fórmula do valor residual (ou “terminal value” em inglês) é a seguinte:

VR (n) = FCF(n+1)/(WACC-g),

Sendo:

  • VR (n): o valor residual calculado para o período “n” (soma dos valores n+1, n+2, etc, descontados a valor do período “n”)
  • FCF(n+1): o valor do fluxo de caixa no período posterior ao último calculado (no exemplo anterior, no ano 6)
  • WACC: a taxa de desconto que será usada no valuation (ver passo 5)
  • g: crescimento (constante) posterior ao último ano calculado.

 

5.- Taxa de desconto usada na avaliação da empresa

Uma vez estimados todos os fluxos de caixa futuros e o “valor residual” deles, é preciso calcular a “taxa de desconto” ou “custo de capital” a ser aplicado para trazer a valor presente esses valores.

Para isso existem 2 opções principais:

  • Usar uma taxa média de mercado, quer dizer: a taxa média dos custos de capital de investidores potencialmente interessados nesse tipo de empresas.
  • Calcular essa taxa, usando os modelos WACC (Weighted Average Cost of Capital) e CAPM (Capital Asset Pricing Model).

 

Caso seja usada a segunda opção, deverá ser usada a seguinte fórmula do WACC:

WACC = D/(D+K) * rD * (1 – T)  + K/(D+K) * rK

Sendo:

  • D: dívida da empresa
  • K: Capital da Empresa
  • T: média impostos sobre o lucro
  • rD: custo (ou rendimento) do capital de terceiros (custo médio da dívida)
  • rK: custo (ou rendimento) do capital próprio (custo médio do capital social)

Para calcular o custo ou rendimento esperado do capital próprio (rK) , é usada a fórmula CAPM:

rK = Rf + Bkm x (Rm – Rf)

Sendo:

  • Rf: Taxa de juros livre de risco (f de free)
  • Bkm: o coeficiente “Beta” que representa a sensibilidade dos retornos da empresa (k) em relação aos do mercado (m)
  • Rm: retorno esperado do mercado.
  • Rm – Rf, é chamado de ”prêmio de mercado” ou ”prêmio de risco”, pois representa a diferença entre a taxa de retorno esperada do mercado e a taxa de retorno livre de riscos.
  • Bkm x (Rm – Rf), representa o “prêmio pelo risco de investir na empresa”.

Para calcular estes valores usam-se valores da bolsa de valores brasileira ou dos EUA de empresas semelhantes, sendo que no último caso é necessário levar em conta o “risco da variação cambial”.

 

avaliação de empresas calcular valor

 

6.- Cálculo do “Valor da Empresa” ou “Enterprise Value”

Descontando os fluxos operacionais e o valor residual a valor presente, pode-se obter o “Valor da Empresa”, ou “Enterprise Value”. Quer dizer, o valor da empresa se não tivesse dívidas nem caixa:

Enterprise Value = Valor Presente dos Fluxos de Caixa Operacionais estimados + Valor Presente do Valor Residual

Sendo:

  • Valor Presente dos Fluxos de Caixa Operacionais   =  [FC1 / (1+wacc)1] + [FC2 / (1+wacc)2] + … + [FCn / (1+wacc)n]
  • Valor Presente do Valor Residual = VR(n) / (1+wacc)n

Sendo:

  • FCn : Fluxo de Caixa Operacional estimado para o período “n” (que calculamos “no passo 3”)
  • VR (n): o valor residual como valor para o período de referência “n” (que calculamos “no passo 4”)
  • wacc: o WACC (que calculamos “no passo 5”)

 

7.- Cálculo da “Dívida Liquida” ou “Net Debt”

A Dívida Liquida, ou “Net Debt” em inglês, é calculada como volume de empréstimos e financiamentos da empresa a ser avaliada menos o caixa e equivalentes.

Dívida Líquida (Net Debt) = Financiamentos – Caixa ou equivalentes

 

8.- Cálculo do “Valor do Acionista” ou “Shareholder Value”

Uma vez calculada a “Dívida Líquida”, é possível saber quanto os sócios da empresa receberão na hora de vender sua sociedade.  Quer dizer o “Valor do Acionista, ou “Shareholder Value”, que é calculado como a diferença entre “Enterprise Value” e “Net Debt”:

Shareholder Value = Enterprise Value – Net Debt

Sendo:

  • Enterprise Value: o que calculamos no “passo 6”
  • Net Debt: o que calculamos no “passo 7”

 

9.- Análise de Resultados e Reavaliação de Premissas

Uma vez finalizada uma primeira modelagem financeira da empresa, é preciso ter certeza que o resultado faz sentido.

Uma primeira forma de conseguir esse objetivo é comparar o resultado obtido pelo DCF versus outros métodos de avaliação de empresas. Ex: cálculo de valor de empresa por múltiplos ou patrimonial. Se o resultado for muito diferente é preciso entender o motivo. Ex: grande valor da marca, boas perspectivas de crescimento, etc.

Uma segunda forma de verificar o bom funcionamento do modelo é a analisar a “sensibilidade” do resultado com pequenas variações das premissas. Ex: aumentos de receita ou de rentabilidade, e diminuições: do custo de capital, de investimentos ou da necessidade de capital de giro, deveriam aumentar o valor da empresa.

Uma terceira forma de comprovar que a consistência do modelo é reavaliar os cenários. Ex: realmente são cenários atingíveis ou irreais? Em quais condições podem realmente acontecer? Como comportar-se-ia a empresa (e a sua avaliação), na entrada de novos concorrentes? E se um concorrente relevante entrasse em recuperação judicial? E se houvesse alteração de alguma lei ou da tributação? E caso houvesse alguma inovação do mercado?

 

10.- Apresentação formal do Valuation (“laudo de avaliação” da empresa e “info memo”)

Finalizada a modelagem financeira da avaliação da empresa (normalmente em excel) o normal é fazer um resumo formal dela em um documento conhecido como “laudo de avaliação” da empresa, com as principais premissas, cenários, e resultados, com o intuito de apresentá-la a investidores potencialmente interessados. Quando o valuation é elaborado pelo assessor financeiro responsável pelo contato e negociação com os investidores potencialmente interessados dentro e fora do Brasil, normalmente o “laudo de avaliação” da empresa forma parte integral do “Info Memo” ou “Information Memorandum”, que é um documento formal, normalmente em mais de uma língua, padrão do mercado de fusões e aquisições, que explica de forma detalhada as características estratégicas, operacionais e financeiras da empresa.

 

COMO USAR A AVALIAÇÃO DA SUA EMPRESA PARA AUMENTAR SEU VALOR?

A avaliação de empresas, não é apenas usada na compra de empresas: uma vez que, com a ajuda de uma consultoria em M&A, você entenda quanto a sua empresa pode valer e quais fatores podem aumentar ou diminuir este valor, você pode influir nesses fatores para melhorar o “valuation. Além disto,  você conseguirá fazer simulações de novos cenários de investimento, para entender qual o impacto deles sobre o valor da sua empresa.

 

comprar empresas valor

 

Por exemplo:

  • Quanto melhoraria o valor da minha empresa investindo em melhorias operacionais ou em tecnologia?
  • Quanto valeria a minha empresa, com maior investimento em marketing/ vendas?
  • Qual seria o impacto no valor da empresa com o lançamento de um novo produto ou serviço?
  • E caso conseguisse aumentar as vendas via redução de preço?
  • E se conseguisse reduzir as horas extra do time?
  • E se conseguisse comprar mais barato utilizando importações.
  • Etc.

 

CONCLUSÃO: AVALIAÇÃO DE EMPRESAS PARA COMPRA PELO DCF

Agora que você já aprendeu a técnica de avaliação de empresas pelo Fluxo de Caixa Descontado (FCD) ou “Discounted Cash Flows” (DCF), que é a metodologia tipicamente usada por investidores para comprar empresas, use essa informação ao seu favor.

Por um lado, se você não quer vender a sua empresa neste momento, a avaliação de sua companhia pode lhe trazer maior clareza sobre como investir melhor o seu tempo e recursos, e como melhorar seu “valuation”.

Por outro lado, se o seu objetivo é a venda da sua empresa, a avaliação da sua empresa, não é só recomendado, mas sim indispensável. Somente assim você conseguirá apresentá-la profissionalmente para investidores, e pleitear um preço justo.

Na prática, como cada empresa é diferente, e os cálculos de avaliação exigem anos de experiência e know how técnico, é muito importante contar com o auxílio de um profissional especializado, normalmente um assessor financeiro com vasta experiência na venda de empresas.

 

CONSULTORIA CAPITAL INVEST – M&A ADVISORS

Nós da CAPITAL INVEST – M&A Advisors somos uma consultoria especializada em M&A que soma mais de R$ 20 bilhões em fusões e aquisições, compra e venda de empresas, ao longo de mais de duas décadas.

Por meio de nossa ampla experiência, conhecimento de diversos setores e presença global, através de parcerias mais de 50 países de quatro continentes, podemos te auxiliar a preparar a sua empresa para a venda, avaliar e vender a sua empresa de uma forma profissional, no Brasil e no Exterior com o intuito de obter o melhor valor.

Também podemos te ajudar a selecionar, calcular o valor e comprar uma empresa de forma profissional com o intuito de diminuir riscos e garantir um bom valor.

Nosso foco é a prestação de serviços de assessoria em avaliação de sociedades, venda e  compra de empresas médias ou grandes: i) de receita bruta anual entre R$20 milhões e R$2 bilhões, ii) com lucro líquido positivo, e iii) (idealmente) com boas perspectivas de crescimento.

Se este for o perfil da sua empresa, ou da empresa que procura avaliar ou adquirir, entre em contato conosco através deste formulário, que nós podemos te ajudar nesse processo!

 

LEIA NOSSO ARTIGO SOBRE OS “3 MÉTODOS” PARA AVALIAR UMA EMPRESA

 

SAIBA MAIS SOBRE A “CONSULTORIA EM AVALIAÇÃO DE EMPRESAS” DA CAPITAL INVEST

 

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